Crescer é uma cilada I

esperaando

eu contruí para mim esses grandes sonhos, grandes ambições,
desejei tudo, o possível e o impossível, parecia que a vida não poderia me impedir,
que eu era maior que tudo.
ah, queria culpar a juventude e me acalmar. Mas tudo se tornou tão intrínseco, tão
intrincado, é parte de mim agora. Sou um projeto de algo grandioso, mas projeto que
dia a dia dói, dói de medo, dói de aflição, pois é tudo tão distante, tão difícil.
quisera eu ter escolhido sonhos pequenos… vida simples…
Eu dificultei tanto, como uma brincadeira, um exercício de imortalidade, no final,
tudo tão difícil, quedei-me desesperada, não derrotada, mas sem o mínimo de denodo.
Hoje os meus sonhos me atormentam, me pressionam, e eu só queria aceitar a vida como
ela é. Lutar com resignação.
talvez seja o meu coração, ignóbil e altivo. Não soube domá-lo. Nem ele me tomar. Não
sei o que me tornei…
Crescer é uma cilada.

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Palavras-atiradas-ao-vento

É saudade, então
E mais uma vez
De você fiz o desenho mais perfeito que se fez
Os traços copiei do que não aconteceu
As cores que escolhi entre as tintas que inventei
Misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos
De um dia sermos três
Trabalhei você em luz e sombra

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que nunca quis deixar você tão triste
Sempre as mesmas desculpas
E desculpas nem sempre são sinceras
Quase nunca são

Preparei a minha tela
Com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar
A armação fiz com madeira
Da janela do seu quarto
Do portão da sua casa
Fiz paleta e cavalete
E com lágrimas que não brincaram com você
Destilei óleo de linhaça
Da sua cama arranquei pedaços
Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes
E fiz, então, pincéis com seus cabelos
Fiz carvão do baton que roubei de você
E com ele marquei dois pontos de fuga
E rabisquei meu horizonte

E era sempre, Não foi por mal
Eu juro que não foi por mal
Eu não queria machucar você
Prometo que isso nunca vai acontecer mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente
A mesma traição

Às vezes é difícil esquecer:
“Sinto muito, ela não mora mais aqui”
Mas então, por que eu finjo
Que acredito no que invento?
Nada disso aconteceu assim
Não foi desse jeito
Ninguém sofreu
É só você que me provoca essa saudade vazia
Tentando pintar essas flores com o nome
De “amor-perfeito”
E “não-te-esqueças-de-mim

– Legião Urbana

Presença sensível…

,

sinto a loucura se aproximar, me espreitar, como uma presença quase palpável…
Lembro-me, às vezes, da minha infância, parece-me que ela estava lá, minha amiga imaginária, companheira e
confidente. Desespero-me, o medo me toma e penso ‘como me salvar?’
Não creio que algum profissional possa dar jeito nisso. Minha loucura é matreira, quando um profissional
se aproxima, ela se afasta…
São em dias como esses… a loucura vem, de leve, me toma pelas mãos, brinca comigo… Tem momentos em que
faz companhia, tem momentos em que nem quero que ela vá embora.

(suspiros…)

...Um café da manhã caprichado: pão-de-queijo, resignação e café! Todos os dias…

Incompletude…

incompletude

Preciso comprar um batom vermelho e uma bolsa nova,
para deixar de lado esse ar de moça suburbana, e por falar em moça…
preciso comprar um relógio novo em que o tempo passe mais rápido para deixar logo de ser tão jovem,
e por falar em jovem… como são felizes, no instagram e no facebook, sempre
belos e felizes, e nem são só os jovens,
e por falar em felicidade… preciso é encontrar um bom modelo que me sirva, devia ter ficado com aquele
solitário, quando me cabia,
e por falar em caber… tô é precisando recuperar alguns quilinhos, entrar novamente naquele vestidinho que me caia tão bem,e por falar em cair… preciso mesmo é admitir que tudo isso já não me atende, cair na real, afinal para que viver onde se precisa de tanto, e por falar em tanto… tô mesmo é precisando disso, ser um tanto, um tanto bom, sem ajustes, medida exata.

A toda prova

survive

Eu sou uma sobrevivente! Insegurança não pega, porque eu sobrevivo. A tudo, sempre, a qualquer coisa. Não importa, vida. Eu vou sobreviver.
Há pessoas que precisam de tanto, não percebem. Não são sobreviventes, não passaram por Darwin.
Eu passei, eu fiquei. Não importa, amor, depois de tudo, ainda estarei viva. E isso basta!

Cecília Meireles

cecilia

Encostei-me a ti, sabendo que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino, frágil,
Fiquei sem poder chorar quando caí.

Cecília Meireles.

Alerta!

alertaa lembrança como uma imagem, seca e dura, não é disso que estou falando. A ideia é não lembrá-la, mas não esquecer. Como quem transforma em ‘lição’. Tornando-a mera reminiscência e, então, só resta os sentidos, o cheiro. A memória em si não é necessária, a reminiscência basta, a reminiscência deve ficar. A memória não!

Não consigo amar,

nao consigo

não se trata de músculo cardíaco gasto, é algo anímico mesmo. Minh’alma é cabreira demais para acreditar nesse tal de amor.

paciência é meu sobrenome, do primeiro nome tenho vergonha…

vergonha