Caro irmão,

dear brother

eu queria me desculpar por todo o amor que mendiguei a vida toda de você
porque amor não se pede, não é?
queria me desculpar por ter me deixado endurecer, hoje sou eu quem não dá carinho.
por ter me recrudescido tanto, a ponto de não conseguir regozijo ante o gesto terno.
hoje, eu queria me desculpar por ser ausente, por ter aprendido a lidar com sua ausência dando-te a minha.
Talvez a culpa seja toda minha, agora sou eu a distante.
e por fim, queria me desculpar por ter lhe dito todas essas coisas que já sedimentavam-se em meu âmago, coisas com as quais já aprendi a lidar, que quase superei, e que, no entanto, dei para ti em forma de dor e culpa.
acho que o laço da fraternidade não é construído, às vezes, ele sobrevive a esmo mesmo, como o nosso sobreviveu.
No fundo, nada do que falei importa mais, é uma cicatriz sem remédio, chamam isso queloide, néh?
Um caso em que ‘botar pra fora’ só fere o próximo, nada alivia, nada sana. Apenas abate mais um.
e na verdade, queria mesmo é que todo este verbo estivesse no futuro do pretérito.
:/

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Publicado em 6 de outubro de 2013, em Palavrear. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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