Arquivo mensal: abril 2012

Eles pensam que me venceram

 Tiraram meu celular, meu carro, minha identidade, tentaram me isolar.
Havia, porém, um lápis e um papel, mantive-me sã, sem desespero e sem solidão.
Papel, eles desconhecem o seu poder!

Recado na secretária eletrônica

Bom dia, querido! Lembre-me de comprar detergente e de pagar a fatura do cartão de créditos. Ah... Vai se preparando, hoje vou terminar com você, lembre-me de me livrar desse fardo: você.
Desmarquei seu oculista, o que está te cegando é sua prepotência, por isso não vê, o barco está afundando.

Grande beijo, bom descanso.

O vinho mais caro

É que ser miserável, também, é ser humano, as pessoas se
esquecem, ter momentos de absoluta pobreza moral, não é falta
de espiritualidade, eu mesma, sempre tratei assim.
Lia como inacetável situações de entrega total ao desvario,
sobriedade sempre no comando, assim deve ser. Pro inferno com
isso. Não se trata de direito de errar, ou de se entregar,
trata-se de exercer o quê de humano, de vulnerabilidade, de
excesso na defensiva.
Vou me render ao momento de devastação e afogar minha
dignidade numa garrafa do vinho mais caro, sem me tornar ignóbil, apenas ser que pode se vulnerabilizar.

Mais uma vez, mentirass

Quando eu menti para mim mesma, doeu na pessoa errada, doeu mais em mim. Quando você mentiu para si mesmo, doeu, também mais em mim.
Pergunto-me até se sua auto-enganação não foi indolente a você. Não julgo nem condeno, especulo. Não firo quem já padece de pesar semelhante ou maior.
Foram nossas mentiras, mais as minhas, que me fizeram assim. Descrente e apática.

Destino.

Não acreditava em destino, mas tinha a certeza que fora o destino quem os juntou.