Arquivo mensal: janeiro 2012

Tardo

Tardo, não por desleixo, por indiferença, por leviandade, meu tardar é quase doloso. Tardo porque não me importo que tardem comigo, porque sobrevivo a todos os atrasos, mesmo sendo atrasos justificáveis. Tardo como quem supera as pontadas da vida, como quem exerce o direito de revidar a dor do mundo. Tardo.

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e se for mentira, tudo bem, viveremos essa mentira.

e a dor? Será irreal também?

Represa.

Escrever alivia, é como estourar uma represa, e então fica
claro a verdadeira profundidade da coisa.

Insípido

Avisaram-me que meus olhos não brilhavam mais
que minha voz perdera o entusiasmo
o sorriso, se aparecia, embaçado
e, também, que a culpa é sua.
Soube, sempre, que era tudo verdade
mas deixar você, não me pareceu um preço justo
com o tempo nem resquícios
vil, inóspito, insosso, o meu ser se tornou
aí, foi aí que paguei, você me deixou.

Prece…


Não me permita cansar, entidade superior a que recorro agora, não me deixe fatigar, é preciso continuar, ainda mais, é preciso avançar, que os pesares não me sejam óbices, que eu não me obste também. Amém, ամեն, амін, амин, آمين, αμήν.

Repita

E o que é a verdade, senão uma série de afirmações repetidas? Então repita, repita todos os dias que gosta de mim. Goste de mim.

Quase uma história [Final 1]

Era o raio de sol mais lindo que incidia sobre o parque aquela tarde, especificamente sobre o seu sorriso, ou talvez fosse o sorriso dele a origem daquele maravilhoso feiche de luz. A brisa era a mais fresca, mas isso não fez diferença, porque eu não a senti, naquele espaço gigantesco só havia ele, os demais fatores emanavam dele ou para ele, o que sobrou para mim foi torpor. Aqueles olhos indecentes estavam distraídos, quando senti os braços fortes, os lábios se moveram e o que segue, aiii… É indecente de dizer, foi a mais pura pornografia, quase uma orgia, num movimento sincronizado e preparado para matar, disse: me desculpe, eu não a vi, você está bem? Não se preocupe,também estava distraída, já que me derrubou você podia se redimir me pagando um suco. Eu devia ter dito algo assim. Se utilizei do tempo verbal dos perdedores, não preciso dizer que não respondi nada. Bom, me desculpe, tenha um bom dia, ele finalizou. Caminhava com segurança, com um gingado que deve pertencer aos pupilos preferidos dos deuses. É isso, ele era um pupilo celestial. Pernas definidas eram vistas por debaixo da bermuda de tactel, já mencionei o sorriso dele? ahh…. E ele se foi, ou pelo menos seu físico. Todas as tardes volto ao mesmo parque no mesmo horário, em horários variados, procuro nas ruas, todo corredor, todo atleta, todo homem bonito. Procuro.Um dia hei de achar, e mais uma vez as palavras faltarão, o enfarte iminente ocorrerá, mas direi: venha comigo agora, não espere, não pense, vamos agora, que agora é hora. E só agora!

Improvisando vantagens

Eu, sinceramente, não sei, não sei. Sinto a maldita dor de não saber. Acho que na verdade não te quero mais. Só não te deixo por medo de me arrepender, perder a qualidade do que temos, mas de você? Acredito que você eu já não quero. Parece que tanto esforço para, enfim, entender que era melhor não tê-lo:  ressaltando seus defeitos, improvisando vantagens – restaram tão exitosos que… Eu me convenço, uma das poucas coisas que faço bem, me convenço. Convenci-me que era melhor não tê-lo, que não gostava tanto assim de você, que seus carinhos não são tão bons e seus olhos não brilham tanto.

O ano acabou!

2012 chegou, sem minha permissão. Senti-me desrespeitada, violada. Como pode 2012 chegar sem que eu terminasse o 2011? 2011 foi frutífero, houve vitórias, muitas vitórias pessoais. De todos os anos, esse foi o que cheguei mais perto de mim, quase me alcancei, mas antes que conseguisse o ano acabou.