Arquivo mensal: dezembro 2011

Impulsos, Honey… Impulsos

Por favor, me ligue hoje. Estou morrendo de vontade de te abraçar, te beijar,  te apertar, te cheirar, te lamber, te morder… Morrendo de vontade de te pegar, envolver em meus braços, ter você como se fosse só meu, mas só por aquele instante, como se esse momento fosse o último, não porque chega a morte, mas porque nos damos a uma relação volúvel. Tenho tantas besteiras pra sussurrar em teu ouvido,  tantas propostas indecentes.  Já comprei aquela lingerie e estou excitada. Preciso espremer meu corpo no seu, sentir seus folículos se eriçarem com o meu toque, sentir seu gozo e sabê-lo como meu.

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Quero é que alguém queira

Não, eu realmente não suporto ser aprisionada, não gosto que me enjaulem, que me tolham, mas ultimamente ando querendo tanto, tanto, alguém que queira me algemar. Nem que seja pra eu reclamar.

Estranha mulher

Quem é esta mulher que se deita em minha cama? De unhas dos pés em vermelho; de unhas das mãos em vermelho. Trajando uma camisola de seda; deitada meio de lado; pernas, embora não grossas, mas bem delineadas; cabelos desalinhados; maquiagem levemente borrada; lábios carnudos, vermelhos, entreabertos. Quem é esta mulher, que se porta como se pertencesse a este lugar? Que gemeu a noite toda, que não sou eu, mas me reveste? Afinal, quem é esta mulher?

Só Esperando pelo grande amor.

Conheço pessoas que vivem a vida como se o sentido de viver
fosse encontrar o grande amor, fundirem-se e viverem em
unidade: se carregando, se apoiando, se salvando e
protegendo. Assim, vivem esperando esse redentor(a) que virá
a galope. Acho vil, é, vilipendio pessoas assim, talvez por
inveja, talvez quisesse eu me entregar a esse desvario; mas
não dá, não sou assim. Não consigo acreditar em amor
amparador. Acho que ninguém salva ninguém. É cada um por si,
e compartilhemos o que há de bom e, eventualmente, daremos ou
ganharemos colo. Só isso, sem dependência, sem obrigações ou
responsabilidades. Mas muito mais que isso, e talvez esteja
aqui minha inveja, não cosigo esperar por uma felicidade que
virá de outra pessoa, provavelmente mais falha que eu – sou
cônscia de não ser a felicidade eterna de alguém. Mais uma
vez, divago. Esperar? Sentar e esperar? E a felicidade virá?
Virá porque… porque eu nasci para ser feliz e nada mais?
Isso faz algum sentido pra alguém? Eu não posso, está muito
acima de mim esperar e até confiar que minha felicidade virá
por outras mãos.
E sim, continuo a aviltar vocês eternos românticos. E no meu
mundo é: “vai ter paz, vai ter fé, vai ter felicidade e até
amor.” O amor virá, virá várias vezes, sob várias formas, mas
não é amor redentor, não! É amor por hobby, por lazer, por
prazer, por paixão e fogo, todas as vezes será assim.

Ex-

Tínhamos amor, nossa! Como tínhamos amor (percebo em mim, agora, uma nostalgia ao dizer isso), mas não tínhamos aquela coisa de pele, sabe? Então acabou. Se não for inteiro, melhor nem ser.

Meus abismos.

Perguntaram-me uma vez se eu não encontrava desvios em meu caminho. Desvios? Meu amigo, desvio é o de menos que há em meu caminho para obstar, perco-me em meus próprios abismos, eu sou a contramão.

Já não sei amar.

O que eu posso fazer?? Estou com medo. Não sei me portar, não sei namorar, me perdoe, eu não sei. O tempo passou, eu me desacostumei a agir como quem ama – sendo que nunca o amor em mim foi maduro. Eu perdi o jeito de algo que nunca soube, realmente, fazer. Acho que mais do que portar, não sei amar. Mas por favor, me ame, me ame muito, tenha paciência e me ensine a te pertencer sem te incomodar, sem cobrar e, se possível, sem dor. Só fique aqui e me ensine, me ame. Acho até que, também, estou te amando.

Namorados

‎”O rapaz chegou-se para junto da moça e disse:
-Antônia, ainda não me acostumei com o seu corpo, com sua cara.
A moça olhou de lado e esperou.
-Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listrada?
A moça se lembrava:
-A gente fica olhando…
A meninice brincou de novo nos olhos dela.
O rapaz prosseguiu com muita doçura:
-Antônia, você parece uma lagarta listrada.
A moça arregalou os olhos, fez exclamações.
O rapaz concluiu:
-Antônia, você é engraçada! Você parece louca.”

-Manuel Bandeira

Sem perspectiva!

Já não sei o que penso, nem se penso. E desta vez não quero pensar, não vou me decifrar, não me determinar.

Abro a porta todos os dias e deixo a vida entrar, não com entusiasmo, não por minha própria vontade, também não é por falta de opção. Simplesmente a deixo entrar e assisto-a devastar, não deixo que me leve.

Estamos acordadas assim: nos estragaremos mutuamente e ninguém levará ninguém.

Pela manhã sento-me e a deixo entrar, assisto com total indiferença ela devastar.