Arquivo mensal: outubro 2011

é porque te amo.

O amor que lhe dei é incondicional, e se as condições já não o sustentam, ele não deixa de ser, ele se vai. Por ser incondicional não impõe novas condições, ele te liberta e vai.

Não me ligue!

Por favor, não me ligue hoje, não me mande um sms, por favor. Não o faça hoje. Vulnerável demais, depois daquela tarde em que o tive em meus braços, daqueles beijos lentos e demorados, dos segredos revelados, do sorriso trocado, do encanto que se pronunciou no seu gesto, do abraço suado, do carinho, do “eu gosto de vc, eu gosto de vc, eu gosto mesmo de vc”, não sobreviverei a mais uma ligação. Me deixe viver mais um dia. só mais um dia. Hei, não me ligue hoje.

E vai amargar

Se vai me amargar? A vida nunca me adoça, aliás, os fatos que ocorrem em minha vida não são doces, não poderia deixar mel. A vida é doce e assim eu a enxergo, amarga sou eu, sou eu com todas as coisas que vivi; a cada experiência, a cada mágoa, ainda mais amarga. Se vai ferir? Não, pouco fere, menos ainda adoça ou ameniza. É, isso vai amargar.

Quero-o todos os dias

Eu, dada a solidão, queria ele, queria todos os dias, aqui comigo, mas é que eu o queria como se quer um móvel, queria ali no canto do quarto em cima do diva, dormindo, respirando, exalando seu cheiro, sem falar, sem querer, sem se levantar,  só como um  móvel… estático. Acho que queria aqui na minha cama, todos os dias, eu o queria todos os dias, assim como se quer um objeto.

último apego

quis me dar a alguém, de forma triste, desgostosa, só queria ficar no mundo, afinal, ficar para quê? De nada servia, eu já não me queria, já não me gostava, não suportava, não é que não queria viver, só não queria ser. Era preciso que algúem quisesse, ou então, viver sem porquê? Não, morro então. Era preciso me dar a alguém, mesmo que desesperançosa, de forma lúgubre.

enlouqueço, te vejo em todo lugar, te toco em meu quarto…

É que ele completara noventa anos e a ele era permitido enlouquecer.

O efeito

O seu elogio ensoberbou-me, tornei-me altiva, impaciente para lânguidas almas, intolerante para gente ignóbil, ocultei-me do mundo, prodigalizei minha energia.

Me ser!

Hoje o que o vento me trouxe foi a alegria de me ser, o mesmo
me trouxe o sol e, também, a paisagem.

e ninguém viu!

Carrego uma dor tão personalíssima
que ainda ninguém percebeu.
Uma tristeza plena e imponente,
um pesar só meu
E quando souberem, no trabalho dirão:
“morreu foi? Uau, de tristeza?”
Os amigos se assustarão:
“o quê? foi depressão? falta de atenção?”
Os meus pais lamentarão:
“Não tive tempo para descobrir seu padecimento”
E, por fim, aos amores restará:
“solidão, é? que pena, era tão jovem.”

O sorteado da academia

Ele é daquele com o ego carente, sempre pede uma massagem, aliás, mais que isso, ele precisa de uma massagem. O bonito que já foi feio.
– Você se machucou? Ele pergunta enquanto recolhe o peso que eu derrubei no chão.
– Não, obrigada!
Talvez ele nem seja tão bonito, mas tem lá seu charme, sua barba bem feita, o braço definido.
– Você está cansada? Ele retorna depois de sete minutos
– Um pouco.
– Se você não tivese essa carinha de treze anos de idade, diria que veio direto do trabalho. Diz com um humor estranho.
– Pois é, apesar de ter apenas doze anos de idade estou vindo direto do trabalho.
Nunca o tinha visto. Certeza, teria notado. Notado sua determinação no andar, sua educação, seu olhar misterioso.
– O que vai fazer hoje? ele retorna após trezes minutos.
– Dormir
– Mesmo?
– Sim. Por quê?
Não é dos mais inteligentes, mas até que se preserva do embaraço. Possui músculos bem delineados, contornados… hm… uma delícia, quase um pitel.
– Quando te vi, gostei de você, você tem belas pernas. Diz, dá um gole na cerveja.
– Obrigada, o que você faz da vida?
– Sou segurança, adoros seus lábios, seu sorriso.
– Estuda?
– Termineu agora, que bom que aceitou sair comigo, uma moça tão linda quanto você saindo comigo, tá fazendo caridade.
– É, estou!
Ele é bonito, cheiroso, beija bem, carinhoso. Que caridade o quê?
– Vamos pra minha casa?
– Não, não abusa, estou fazendo caridade, mas nem tanto.
– É, você tem um belo corpo, é muito linda de rosto, pele, cabelo.
– Então você veio de Tocantins?
Você é a mulher mais linda com quem já sai. Ele mente.
Eu minto também, a mim mesma, acreditando que sou com certeza
a mais linda que ele já viu.
– Tchau, boa noite.
– Você não vem pra minha casa?
– Não, caridade tem limite.
– …
Ele fica com cara de bobo vendo o carro partir, desacreditado. Dessa vez eu ganhei, e ele também, afinal teve a companhia da mulher mais linda.