Arquivo diário: 22 de setembro de 2011

Acrilic On Canvas

“É saudade, então. E mais uma vez de você fiz o desenho mais perfeito que se fez, os traços copiei do que não aconteceu, as cores que escolhi entre as tintas que inventei, misturei com a promessa que nós dois nunca fizemos, de um dia sermos três, trabalhei você em luz e sombra. E era sempre, não foi por mal. Eu juro que nunca quis deixar você tão triste. Sempre as mesmas desculpas, e desculpas nem sempre são sinceras, quase nunca são. Preparei a minha tela com pedaços de lençóis que não chegamos a sujar; a armação fiz com madeira da janela do seu quarto; do portão da sua casa, fiz paleta e cavalete; e com lágrimas, que não brincaram com você, destilei óleo de linhaça; da sua cama arranquei pedaços que talhei em estiletes de tamanhos diferentes e fiz, então, pincéis com seus cabelos. Fiz carvão do batom que roubei de você, e com ele marquei dois pontos de fuga, e rabisquei meu horizonte. E era sempre, sempre o mesmo novamente, a mesma traição. Às vezes é difícil esquecer: “Sinto muito, ela não mora mais aqui”, mas então, por que eu finjo que acredito no que invento? Nada disso aconteceu assim, não foi desse jeito, ninguém sofreu. É só você que me provoca essa saudade vazia. Tentando pintar essas flores com o nome de “amor-perfeito” e “não-te-esqueças-de-mim”.”

Legião Urbana

Anúncios