Arquivo diário: 9 de setembro de 2011

Porta aberta!

Ele abriu a porta, depois de decidirmos, maduramente, sabiamente, como só nós faríamos, que viraríamos a folha, sem esquecer a página. Ele diz: “Eu quero te ver”, como se eu também não quisesse. E o que eu faço? O melhor que poderia fazer ao descobrir-me incapaz de agir, Não faço! Ainda que pareça indiferença – o que não é nem de longe- faço nada. Esse nunca foi o meu dom, mas desde que ele passou por aqui, meu potencial nessa arte tem apresentado um crescimento em progressão geométrica. Como se não incomodasse, como se não ferisse, não desconcertasse, fico aqui, fico ali.. nem cá, nem lá.. na zona de destruição, calada, não aquela calada onde não se diz nada, mas aquele silêncio de quem foi calado. Calada pela circunstância, pela delicadeza da situação.

Mesmo aqui – onde disseco meu interior e me surpreendo até, com estas revelações que até então eram secretas até a mim- oculta-se a esperança, a angustiante esperança. AN-GÚS-TIA, se houver um sentimento pior que este, definitivamente é pena para mortais de um nível mais elevado, não é pra mim. A pena mais labutar a mim é a tal da angústia, só de ouvir esta palavra sinto meu fígado cair, derreter, passando entre o estômago, o intestino e pousando sob o útero.

Já me perguntei várias vezes o porquê desta porta? Por que agora? mas não perguntarei a ele. Vai corroer por dentro, e tudo bem, como produto muito bem falsificado e caro, que se perde de dentro pra fora. Sou eu. Ele não vai notar, ninguém notará. Meu fim será um mistério. Um mistério, talvez, até a mim. Faço bem esse papel!

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