Arquivo mensal: agosto 2011

Nãos

“De quantos nãos precisamos para entender que a vida não é do jeito que queremos, a vida é só o que fazemos e plantamos e não o que esperamos dela?”

Sérgio Veleiro

Que não haja, então.

Não me peça pra fazer sentido, já tentei, já cobrei, já esgotei. Não importa mais, que não haja sentido, então.

Deixa de sofisma e vamos ao que interessa…

Estávamos amplos.

Somamos nossos vazios, nossas carências, nossas insatisfações, resultou num encaixe simétrico, num ritmo animal, uma sincronia selvagem, selvagem e molhada…

É evolução

Achei algo para escrever, escrever a estranha experiência que passei, aquela que precede o que há e evita o que foi, a inércia sem volta, a angustiante inércia, a desistência diante a ameaça, a ameaça de ser bom, de ser fatal. Mas é tão mórbido, tão mórbido que não consigo. Não consigo me mover. Fico ali ante o ir, e saber não voltar, ou voltar antes de ir. Fico ali, sem decisão e sem inércia. Só fico ali. Talvez anos depois descubra que não deveria ter agido assim, que o conteúdo que me aguardava poderia ter mudado minha vida, ou que o conteúdo que me aguardava estragaria minha vida, e então alívio. Definitivamente alívio, sinto-me capaz, madura o suficiente. Capaz de aceitar e madura para perder. Não é falta de coragem. Minha revelia não é falta de coragem, é evolução.

A você leitor.

Eu queria escrever algo que não está na minha mente distorcida, como se estivesse, mais que escrever eu queria ter algo na mente, mais que na  mente, no coração. Arrependimento que fosse, por ter perdido um amor, por ter agido errado com aquela paixão. Criar um diálogo que nunca direi a ele, mas desta vez queria que ele realmente existisse, queria fantasiá-lo por escolha, não por não ter a quem dizer. Queria que as músicas que tanto amo fizessem sintonia com meu estado de espírito. E queria escrever tudo isso, para que quando o leitor lesse, sentisse não só inveja da minha poesia, mas também empatia. Queria acalentá-lo dizendo que também já errei, que também perdi quem amei, ou quem amei me perdeu. Só o que posso te passar, leitor, é isso: eu queria…. Espero que algum dia você também tenha querido algo e entenda o que é a incapacidade de alcançar. Deixo-te também minhas desculpas, meu sincero pesar.

Mesmo que… Sempre!

“Mesmo que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre.”
– Vinícius de Moraes.

 

Amaria você

 Eu não podia ter mais que isso. Você me fez tão bem. Acabou e pronto! Tá tudo bem. Você veio, me modificou, me melhorou, gostou de mim, acrescentou, reduziu.. Ser gostada por você foi a coisa mais bacana que já me aconteceu, não haverá outro acontecimento para se equiparar. Ser gostada por você facilitou muito pra mim, foi mais fácil me amar, me aceitar e me ser. Ninguém me tirará o que você me deu. Se eu pudesse amar, amaria você.

Viver, viver, viver…

Tenho uma pressa muito grande de viver, não quero reconhecer minhas limitações. Aliás, não as enxergo. Serei muito humilde agora e direi: tenho, devo ter, mas não as quero, abro mão delas. Quero é viver, viver, viver, viverPoetizar, respirar, arrepiar, prazerar, verbalizar, silenciar.. não quero ficar aqui, parada, vivendo com o que a vida dá. Não quero, quero mais… Quero o que ainda não existe, quero inventar.

Eu faço a sua parte, faço a minha…

Dei um grito desesperado: mintam pra mim! Me enganem! O que há de errado com o mundo? Por que é assim?? Eu preciso ser enganada, finja me amar, finja apreciar, finja se importar. Pelo menos finja. Não aguento a realidade escancarada na minha frente. E invento diálogos, invento sentimento, gestos, fantasio que me enganaram bem, faço minha parte, faço a de vocês. Estou jogando sozinha.