Arquivo diário: 2 de julho de 2011

Se eu falo demais…

..é essa idade que não me cai bem, entende? Desculpe-me a sinceridade, a prolixidade. Eu sei que numa sexta à noite não é isso que se quer conversar, mas como você se sente? Você está bem consigo mesmo? E qual você acha que é o sentido da vida? Que sentido faz os relacionamentos? Quanto tempo tem que durar pra ser real? A realidade está ligada a profundidade ou a largura? Qual é a medida? Você quer o sexo,  né? Só o sexo? Aceita bônus? Sim, está tarde e estamos conversando sobre a existência. Fazendo as vezes de filósofos, sem a menor técnica. É, é uma heresia nós reles mortais filosofarmos assim. Aliás, pecado maior seria existir como se isso não envolvesse dimensões jurássicas no plano vertical. Talvez aja assim porque a solidão está batendo diferente em mim. Não está me incomodando, está numa paz farta de si. Por que você não ligou? Você podia ter ligado. Sim, me dou bem com a solidão. Tens razão, mas você devia ter ligado. Não, não por obrigação, por consideração. Depois de tanto sexo preciso ouvir que você ainda quer algo mais de mim. Você não quer, né? Eu achei que eu podia querer. Eu não quero.  E não me desculpo. Quero palavras, quero o abstrato, sabe?? Não aquele que não se pode tocar; não, eu quero o abstrato tangível. Sim, eu gosto dessa palavra. Tan-gí-vel, ela é metalinguística. Se você fosse o ideal, e se o ideal pudesse ser, você entenderia o que eu quis dizer. É, você não é perfeito. Nem o seu sexo. É confortável sim, bom? Talvez. E eu ainda sim quero conversar com você. Você não quer, eu já sei. Mas eu só quero falar, você não precisa ouvir. Não precisa replicar. Fique assim, bem quieto que fica mais charmoso. Fica convidativo, incita o meu interesse. Olha.. Se você começar a falar, não vai dar certo. Não te quero escutar, não me toque agora, não estou no clima… É você me entedia. Fato interessante é que eu gosto muito de conversar, muito mesmo. Mas se eu começo a falar demais é sinal de tédio. Você me entedia sabia? Estou com preguiça, e não aquela gostosa de sentir, apesar de merecida, naão sinto que é esta. Vou me embora porque não é hora agora. Não, não quero conversar. Não quero comer. Obrigada. Já vou indo. Não me espere que eu não volto. Não espere aquele e mail ou aquela resposta. Fique com o melhor de mim que posso dar, que é também a única coisa sua que me vale: ausência.

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