Arquivo mensal: julho 2011

E agora?

Desistir porque não vai durar, desistir porque não precisa de mim, desistir porque não vai vingar, desistir porque é mais fácil, desistir porque posso aceitar que feriu meu orgulho, desistir porque não me dá o que preciso, desistir porque cansei de esperar. Continuo porque gosto de te ver sorrir. Sorria!

Bem que podia…

E agora você me quer? Você me conquista, discursa todo romântico e cuidadoso, adentra meu íntimo me compondo por algumas horas, me faz carinhos e vagas promessas, em seguida me trata com desleixo, expõe sua indiferença e até um pingo de desdém. Mas agora você me quer? Veja: eu poderia não ter acreditado no seu discurso, nos seus olhos que brilhavam, brilhavam muito, no seu sorriso inocente, e então estariamos bem. Você podia ter sido menos convincente ou menos troglodita, porém nada disso aconteceu. Então deixa. Deixa o tesão e o orgulho ferido de lado. Dessa vez não vai colar, tente outro dia, tente uma outra estação, no inverno fico mais vulnerável e a memória falha, tente lá.

20 anos blues

“Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu tenho mais de mil perguntas sem respostas
Estou ligada num futuro blue
Eu tenho mais de vinte muros…
Essa calma que inventei, bem sei
Custou as contas que contei
Eu tenho mais de 20 anos
E eu quero as cores e os colírios
Meus delírios
Estou ligada num futuro blue…
Ontem de manhã quando acordei
Olhei a vida e me espantei
Eu tenho mais de 20 anos.”
-Elis Regina

Sinta!

Quis ser honesta, jogar limpo, lhe disse o quão ardil eu podia ser; mas você, que não me escuta, preferiu ver.

Foi aqui

Um dia você foi o personagem principal dos mais belos diálogos que ensaiei, motivo de minha ânsia e espera, habitante de  minhas mais indecente memórias, causador do frio na espinha dorsal que me tirava de mim, lembrança quando devia me  concentrar, o personagem que ninguém mais será. Tanta espera, tanta espera, tanto preparo. Não me arrependo de nada disso, do tempo que perdi, do quanto me perdi. Você devia. Devia se arrepender por me perder. Você jamais figurará numa história como figurou na minha, e isso não é uma certeza, é uma verdade. Digo isso, embora não me arrependa de ter me retirado da mais bela vida que me deram, porém eu tenho ciência de onde foi que perdi. Estou lhe dando isso agora: foi aqui.

Vivendo e aprendendo

Outra história com um outro rosto
Um outro beijo com o mesmo gosto
Era cedo e não podia dar certo
Lá vem um outro dia frio e encoberto

Agora veja o meu estado
Olhando o futuro e prevendo o passado
Como alguém que não sabe o que quer
Mentindo pra todos enquanto puder

Capital Inicial

Quando eu não pedia

“Você se doou tanto quando eu não pedia, e no momento em que pela primeira vez eu pedi, você negou, você fugiu”

Caio Fernando Abreu

Companhia

Não estou à procura do par ideal, aquele que ouvirá minhas músicas e lerá meus livros, me ensinará algo, e eu compartilharei com ele o pouco que sei, o pouco que ele realmente quer saber. Não estou procurando por este. Eu procuro por algo melhor, eu procuro pelo possível, só quero mesmo é companhia, não é que estou desprezando a qualidade, não estou, estou desprezando o complemento. Quero alguém que me pertença do jeito que é, com todos os defeitos e incompatibilidades e que mesmo assim, com tudo pra dar errado, dê certo, sejamos parte inteira enquanto metades um do outro, um papo que não precisa ser interessante ou entusiástico, basta  ser suficiente, um silêncio que se não conforta também não constrange, intimidade, companheirismo, um sexo animaldisso não abro mão. Sem prescrições e apesar das contraindicações.

Abstraio

Por um instante acreditei que amei, realizei: o meu eu lírico amou, talvez ainda ame. Mas somos distintos, abstraio-o de mim e eis me livre de você.

Mérito.

“…tenho me sentido legal. Mas é um legal tão merecido, batalhado…”

Caio Fernando Abreu